
São Judas Tadeu - Pontal
A história da Comunidade São Judas Tadeu, no Pontal, teve um início marcado por um gesto de gratidão e fé que remonta a quarenta e cinco anos atrás. Em cumprimento a uma promessa por uma graça alcançada, o senhor Michel Mansur, morador da Barra do Itapemirim, trouxe a imagem do padroeiro em uma solene procissão fluvial para a comunidade.
Como o bairro ainda não possuía um templo e contava com poucos habitantes, a saudosa Dona Odila, em um gesto de profunda solidariedade, ofereceu uma de suas propriedades — que funcionava como escola — para abrigar a imagem.
A chegada do santo foi celebrada com uma Santa Missa presidida pelo então pároco, Padre Henrique, que incluiu um casamento comunitário de aproximadamente nove casais. Com o passar do tempo e a precariedade da antiga construção, a casa precisou ser demolida, e São Judas Tadeu passou a residir na própria moradia de Dona Odila, onde permaneceu por cerca de dez anos.
Após esse período, a comunidade encontrou refúgio na Escola Unidocente Pontal, local onde o Padre Henrique realizou o primeiro batizado da região. A união de forças foi fundamental para que o sonho de um templo próprio saísse do papel, destacando-se o empenho de Dona Zilda, Senhor Romildo e Dona Noêmia. Com coragem e generosidade, eles percorreram o comércio local em busca de doações.
Um dos fatos mais surpreendentes dessa trajetória foi a intervenção de Dona Noêmia que, através de um contato próximo ao cantor Roberto Carlos, conseguiu uma doação do artista para a construção da igreja. A providência manifestou-se também através do empresário Michel Mansur, que custeou o telhado, e do Senhor Walmery Cardoso, que doou os bancos e permaneceu como um fiel colaborador da comunidade por mais de três décadas, até o seu falecimento.
Enquanto a imagem original de São Judas Tadeu passava por um processo de restauração pelas mãos de Dona Zilda, a "Igreja Viva" continuava a pulsar através de mulheres dedicadas como Dona Ducarmo, Nicinha, Mariinha, Neida, Iranir, Evanilda, Cínica, Penha e Neinha, que organizavam as Celebrações da Palavra na escola e o Santo Terço nas casas. O retorno triunfal da imagem restaurada coincidiu com a inauguração oficial do templo, ocorrida em 31 de outubro de 1987, em uma celebração conduzida pelo Padre Domingos Altoé.
Um marco que ainda comove a memória local é a perseverança das irmãs de caminhada da Barra, que não mediam esforços para atravessar o Rio Itapemirim em barcos a remo, enfrentando dificuldades para garantir a realização dos encontros e reuniões.
Hoje, a Comunidade São Judas Tadeu olha para trás com gratidão e para o presente com alegria ao ver que muitos dos membros que iniciaram essa história permanecem firmes e fiéis até os dias de hoje. Essa trajetória é um testemunho da força da oração e da união comunitária, provando que a fé é capaz de atravessar rios e unir corações em prol de um propósito maior.


