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Nossa Senhora dos Navegantes

A Igreja Nossa Senhora dos Navegantes é um patrimônio religioso, histórico e cultural do município de Marataízes, localizada na comunidade da Barra de Itapemirim. Erguida sobre um ponto elevado, próximo à foz do rio Itapemirim, a igreja é considerada uma das mais antigas e belas do sul do Espírito Santo, sendo um verdadeiro símbolo de fé para o povo da região.

A devoção a Nossa Senhora dos Navegantes tem suas raízes no período das grandes navegações europeias. Em meio a mares desconhecidos, repletos de perigos e mistérios, os navegadores recorriam à proteção da Virgem Maria sob o título de "Nossa Senhora dos Navegantes", pedindo segurança durante as travessias. O mar sempre foi visto como um lugar sombrio, imprevisível, e a fé era um refúgio em meio ao medo.

Com a chegada dos colonizadores ao Brasil, essa devoção foi trazida para terras capixabas e encontrou eco em comunidades litorâneas como a Barra de Itapemirim, onde muitos viviam da pesca e da relação direta com o mar e o rio. A igreja, construída com esforço e fé pela comunidade local, tornou-se o coração espiritual da região, acolhendo fiéis em celebrações, novenas, procissões e festas populares.

A tradicional Festa de Nossa Senhora dos Navegantes é celebrada todos os anos com grande participação da comunidade e de visitantes. Com missas, cortejos terrestres e fluviais, música e oração, o povo expressa sua gratidão à padroeira, renovando a fé que atravessa gerações.

Mais do que uma construção antiga, a Igreja dos Navegantes é um símbolo vivo da história, da cultura e da espiritualidade de Marataízes. Ela representa a força de um povo que encontrou na fé o alento diante das tempestades da vida e que mantém viva a devoção a Maria, a estrela que guia os navegantes de todos os tempos.

História da comunidade 

A edificação da Igreja Nossa Senhora dos Navegantes iniciou aproximadamente em 1872. A construção da igreja foi esforço do Sr. Simão Rodrigues Soares e possivelmente do Frei Paulo Casanova, do governo provincial e dos fiéis. A obra da igreja foi interrompida em alguns momentos por falta de recursos. Em 1876 se tem notícias que a obra já estava terminando, segundo relatos da Câmara Provincial.


Em 1886 o bispo Dom Pedro Maria Lacerda, bispo do Rio de Janeiro concede licença para conclusão da capela, eclesiasticamente toda a província do Espírito Santo pertencia a Diocese do Rio de Janeiro. Dom Pedro Maria de Lacerda, na sua segunda visita pastoral no Espírito Santo em 1887, celebra a Santa Missa na igreja e faz a benção.


Em 1908, foi concedido pelo Bispado Espírito Santo, Dom Fernandes Souza Monteiro, licença para que a Capela de Nossa Senhora dos Milagres dos Navegantes realizasse os atos solenes conforme as orientações canônicas da Igreja Católica Apostólica Romana. As primeiras imagens de Nossa Senhora dos Navegantes, de Nossa Senhora da Conceição e de São Francisco de Assis, confeccionadas em madeira foram trazidas de Portugal e doadas pela mãe de Simão Soares.

Os festejos religiosos e populares, em honra à Santa Padroeira, iniciaram em 1936. Inicialmente as comemorações iniciavam com a procissão fluvial, no qual os barcos à vela, todos enfeitados eram puxados por um rebocador. O cortejo subia o Rio Itapemirim até a Vila do Itapemirim.


Em 1994, um fato lamentável: a igreja foi invadida, roubaram as imagens em madeira de Nossa Senhora dos Navegantes e de São Francisco de Assis, raziadas de Portugal.  Foi nesta igreja que a irmã Cleusa Rody Coelho, mártir na Amazônia, foi batizada, seu nome está na lista de processos de canonização, pela luta e coragem de servir a causa indígena, podendo ser a Primeira Santa.

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